Estudos multiespécies: cultivando artes de atentividade


Estudiosos das ciências humanas e sociais estão experimentando novas maneiras de se engajarem com mundos em torno de nós. Uma imersão apaixonada na vida dos fungos, microorganismos, animais e plantas está abrindo novos entendimentos, relações e responsabilidades. Este artigo oferece uma introdução a este campo emergente: estudos multiespécies. Perturbando certas noções de espécie, explora um ampla gama de modos possíveis de classificar, categorizar e prestar atenção aos diversos “modos de vida” que constituem mundos. A partir de uma atenção detalhada dada a entidades particulares, uma multiplicidade de conexões e compreensões possíveis se abre: espécies são sempre múltiplas, multiplicando suas formas e associações. Essa reunião de questões sobre os tipos e suas multiplicidades é que caracterizam os estudos multiespécies. Uma variedade de abordagens para conhecer e compreender outros – modos de imersão – embasa e orienta estas pesquisas: engajamentos e colaborações entre cientistas, agricultores, caçadores, povos indígenas, ativistas e artistas estão catalisando novas formas de investigação etnográfica e etológica. Este artigo também explora o contexto teórico mais amplo dos estudos multiespécies, perguntando: o que está em jogo – epistemologicamente, politicamente e eticamente – na aprendizagem de estar atento às diversas formas de vida? Seriam todas as entidades vivas biológicas, ou talvez um tornado, uma pedra, ou um vulcão, passíveis de formas semelhantes de imersão? O que significa viver com os outros em mundos emaranhados da contingência e da incerteza? Ou, mais precisamente, como podemos fazer bem o trabalho de habitar e co-constituir? Ao propor essas questões, este artigo explora como cultivar “artes de atentividade”: modos de tanto prestar atenção aos outros, como de elaborar uma resposta significativa.

Aqui artigo completo.

van DOOREN, Thom; KIRKSEY, Eben; MÜNSTER, Ursula. Estudos multiespécies: cultivando artes de atentividade. Trad. Susana Oliveira Dias. ClimaCom [online], Campinas, Incertezas, ano. 3, n. 7, pp.39-66, Dez. 2016. Available from: http://climacom.mudancasclimaticas.net.br/wp-content/uploads/2014/12/07-Incertezas-nov-2016.pdf

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